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Os Solos e os Vinhos

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Um dos termos mais recorrentemente empregues quando se fala em vinhos, é o de Terroir. Por sua vez, um dos elementos ou fatores que o compõe, é o Solo. É precisamente ao solo ou, melhor dizendo, aos solos da sub-região de Basto que gostaríamos de dedicar o artigo deste mês.

O solo desempenha um papel fundamental na produção de vinho, ou não fosse por seu intermédio que nutrientes e minerais são canalizados para as videiras. Também a luz e energia calorífica do sol são acumulados no decorrer do dia, sendo essa energia passada às plantas nas horas de sombra e escuridão. Outras questões que impactam directamente a qualidade do vinho resultam, em maior ou menor medida, do solo, tais como o pH, a humidade e a capacidade de retenção da água, e os seus próprios constituintes, entre os quais o azoto, ou alguns minerais, como o ferro (fundamental na fotossíntese), o magnésio ou o quartzo. Em síntese, ao solo devem-se tantas características que amiúde são usadas para descrever os vinhos, como mineralidade, estrutura, complexidade ou volume de boca. Não é, assim, de estranhar que juntamente com orografia, o clima, as castas, a intervenção humana e ainda a cultura, história e tradição, o Solo consista num dos componentes do Terroir.


Por norma, os solos da Região dos Vinhos Verdes são caracterizados como sendo de origem granítica. Contudo, algumas sub-regiões evidenciam algumas nuances face ao panorama geral, nomeadamente a de Basto, onde além dos graníticos, também se encontram solos de natureza argilosa e mesmo xistosa. Esse é também o panorama da Quinta da Raza, onde juntamente com um excelente posicionamento altimétrico da grande maioria das nossas vinhas – um planalto orientado a Sul entre os 250-270 metros com uma notável exposição solar – gozamos ainda da felicidade de em diferentes localizações e vinhas, dispormos de uma assinalável variedade de solos que muitos nos ajudam a definir e diferenciar os diferentes perfis de vinhos que produzimos, distribuídos entre as gamas Raza, Raza Nat, Quinta da Raza e Dom Diogo. Não faltam exemplos que possa ilustrar esta situação.

Por exemplo, na vinha de Gagos, inteiramente dedicada ao Padeiro, uma das nossas variedades autóctones, o substrato rochoso granítico, onde não falta uma forte componente arenosa de tom claro, contribui, de sobremaneira, para a frescura e tipicidade da casta, nomeadamente a nível organoléptico, como tão bem expressam os nossos Dom Diogo Padeiro, Raza Pet Nat Rosé e Raza Rosé. Aos solos graníticos se devem algumas das características recorrentemente associadas aos Vinhos Verdes como a frescura e a acidez.

Por seu turno, na vinha da Raza ou Raza de Baixo, sobressaem os solos limosos e argilosos. Além da superior capacidade de retenção de água, estes elementos também conferem aos vinhos volume de boca e estrutura. Assim, não é de estranhar que nesta vinha as castas Alvarinho e Azal atinjam um nível superlativo tão bem manifesto em algumas das nossas referências, como o Dom Diogo Azal, Raza Branco, Quinta da Raza Alvarinho-Trajadura, Quinta da Raza Alvarinho, Quinta da Raza Avesso-Alvarinho ou mesmo no nosso espumante – Quinta da Raza Espumante Bruto Natural.

Por fim, refira-se aquele que é, porventura, a vinha mais singular da Quinta da Raza, denominada de Vinha de Lamelas. Além da sua disposição em patamares, que por si só constituiria motivo mais que suficiente para lhe atribuir um estatuto diferenciado, o substrato rochoso desta vinha é xistoso. Na verdade, o nome ‘Lamelas’ advém, precisamente, da maneira como esta rocha metamórfica fractura neste local, em pequenas e alongadas lâminas. Os solos xistosos, por norma mais pobres e menos férteis que outros, nomeadamente os graníticos, conferem às plantas uma maior resiliência e capacidade de resistência; aos vinhos, mais especificamente, atribuem-lhes complexidade, bem vincada na casta Gouveio aqui plantada e, por consequência, no Quinta da Raza Vineyards Collection Vinha de Lamelas. Na verdade, o rótulo deste belo vinho é toda uma homenagem ao solo e à topografia deste local, com as suas curvas de nível bem juntas e a sua planta cónica reveladora da perspectiva de 360º que deste local se possui para toda a região.

Um solo bem tratado é condição indispensável para a produção de um bom vinho, uma vez que, dessa forma, irá alimentar corretamente a videira e, se nos é permitida a expressão, transmitir-lhe a sua essência, a sua "alma”. Daí a importância de algumas práticas de sustentabilidade ambiental, desde a mitigação da erosão, à promoção da vegetação espontânea, passando pelo desenvolvimento do enrelvamento natural, domínio que a Quinta da Raza também se destacado, como a recente certificação ‘Sustainable Winegrowing Portugal’ o demonstra.